Projetos

Idealizações que refletem a criatividade

Projeto Conexão Brasil – Congo

Gestos formulam ritmos para além das possibilidades gráficas dos compassos que convida a um período inicial da música afro-brasileira

Espetáculo que almeja fazer uma conexão entre dois lugares que, apesar de distantes, encontram entre si elementos culturais bastante comuns. Por meio de diferentes ritmos e idiomas, o artista plástico e músico Gloire Ilonde Eale bolele inunda o ambiente da Brass Groove Brasil com seu universalismo tátil e despretensioso, transportando na epiderme de sua música um tempo percebido apenas nas culturas de transmissão oral.

Ilonde, como gosta de ser conhecido, mudou-se para Florianópolis há um pouco mais de três anos, encontrando aqui algumas reminiscências de seu canto, apesar de distantes e separadas por um período de três gerações. Nascido e criado em Kinshasa, na República Democrática do Congo, centro da África, ele é atualmente estudante intercambista da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).

Seus gestos formulam ritmos para além das possibilidades gráficas de nossos compassos, e é esta a tecnologia que nos atravessa e nos convida a um encontro que pretende buscar no “mojo” de Moacir Santos e na ancestralidade do maestro Abigail Moura os recortes de um período inicial da música afro-brasileira. O show conta com cinco sopros e uma cozinha contemporânea que percute ijexás, barraventos e aguerês, além de ritmos congoleses como a luba, o mongo, o makongo e a rumba congolesa. A canção, elemento recente para a Brass Groove Brasil, transitará livremente entre o dialeto lingala, o francês e o português.

PROJETO ESTRADA CRIATIVA

Iniciativa que vem chamando a atenção no estado, o projeto “Estrada Criativa”, idealizado por integrantes da Brass Groove Brasil — Aurélio Martins, Braion Johnny, Carlos Schmidt, Cristiano Ferreira, Cristiano Forte, Fábio Mello, Jean Carlos e Rafael Calegari — surgiu recentemente a partir da ideia de produzir novas composições, homenageando cada cidade pelas quais os músicos passaram durante a turnê do Circuito SESC de Música-SC. Aproveitando e otimizando o tempo que ficavam dentro do ônibus e do hotel, entre uma apresentação e outra, mais que compor, eles elaboravam arranjos para cinco sopros, além de guitarra, baixo e bateria. Faziam isso buscando elementos estilísticos que representassem algo de cada lugar e inspirados na cultura local, nos aspectos geográficos e, em alguns casos, simplesmente em uma impressão deixada pela cidade quando da chegada do grupo ou mesmo na própria estrada.

Elaboravam arranjos buscando elementos estilísticos inspirados na cultura local

Uma das músicas, intitulada “Baile da Sereia”, por exemplo, foi criada dentro do ônibus durante o trajeto, quando os músicos ficaram um tempo parados no posto de fiscalização na entrada de Camboriú, ali nascendo uma parte da composição. Havia um clima festivo instalado, pois todos estavam há algum tempo fora de casa e longe do mar. Desta vez, a cidade chegou antes em suas mentes, com a antecipação do encontro geográfico. O que surgiu foi um samba em homenagem a uma praça da cidade, que leva o nome “Das Sereias”, e também a essa figura mítica que, com seu canto e beleza, enfeitiça  os marinheiros.

Muitas vezes a  composição era iniciada após o show, ainda em outra cidade, e o restante era desenvolvido no trajeto. Com a música pronta, a banda corria, literalmente, para a passagem de som. No camarim do teatro, a impressora ficava responsável por terminar esse processo, extraindo as partituras. Normalmente o tempo era muito curto, e as composições eram impressas um pouco antes do início do espetáculo, o que aumentava o nível de adrenalina de todos os integrantes. Às vezes a escolha do nome da música acontecia nessa etapa, o que prolongava a espera dos músicos. Expectativa também tinha a plateia, que esperava por sua execução pela primeira vez.

Acumularam 26 músicas inéditas compostas conjuntamente, criando um vínculo afetivo com cada cidade

Ao total, por terem passado por 25 municípios — quais sejam, Laguna, Joinville, São Bento do Sul, Canoinhas, Jaraguá do Sul, Blumenau, Brusque, Balneário Camboriú, Tijucas, Florianópolis, Rio do Sul, Vidal Ramos, Pouso Redondo, São José, Itajaí, Tubarão, Criciúma, Urubici, Lages, Caçador, Concórdia, Joaçaba, Xanxerê, Chapecó e São Miguel do Oeste — acumularam 26 músicas inéditas, que foram compostas conjuntamente, o que fez com que o grupo criasse um vínculo afetivo, tanto consigo mesmos quanto com a cidade. A experiência foi intensa em todos esses lugares, pois eles deixaram um pouco de sua história e levaram um pouco das cidades consigo. Com tudo isso em mãos, a proposta, agora, é a de gravar esse material, como uma forma de retribuir ao público a hospitalidade com a qual todos foram recebidos por onde passaram.

New Orleans

Suas performances são responsáveis por intervenções enérgicas e um groove contagiante

A Brass Groove Brasil realiza, também, o projeto de tributo à música de New Orleans, tocando a história do jazz, ao passar por estilos que vão do Dixieland, Ragtime, Second Line ao Funk/Blues.

Uma de suas influências musicais é a formação tradicional de “Jazz Band”, que está presente em diversos grupos no Brasil desde o início do séc. XX. A exemplo disso, podemos citar a “Jazz Band” Os Batutas, liderada por Pixinguinha e Donga, e Aldo Krieger e sua “Jazz Band”, em Santa Catarina.

O grupo possui shows com diversas possibilidades de atuação de suas composições, dialogando com releituras de canções da música popular, somadas a improvisações. Suas performances são responsáveis por intervenções enérgicas e um groove contagiante, elementos indispensáveis para ninguém ficar parado. Pode apresentar um show especificamente para palco ou um show em meio ao público, realizando intervenções urbanas que não necessitam de equipamento de som. Ambas apresentações podem contar com a presença de bailarinos de sapateado, de lindy hop e de dança de rua.

A banda traz em sua trajetória convidados como Marina Coura (sapateado), Mila Spigolon (lindy hop) e o grupo Nos Trink Crew (dança de rua). Participou de eventos culturais como o WhataFunk e dividiu o palco com cantores que atuam no circuito da música catarinense, entre eles Bruna Góes, Carolina Zingler, Gustavo Barreto e Marco “Nego” Aurélio, da Sociedade Soul.

Os metais da Brass Groove já participaram de importantes projetos do cenário estadual, tais como o Chicago Connection — acompanhando Linsey Alexander — e o Acústico Brognoli, no qual acompanhou J.J. Jackson, Dudu do Banjo e Jorginho do Trompete.

Em Florianópolis, realizou intervenções urbanas pelo centro da cidade, em pontos estratégicos como o Mercado Público, o Centrinho da Lagoa, a Beiramar Norte e a Beiramar do Continente. Em março de 2014 realizou o show de estreia do Projeto FIESC Seis e Meia. Evento cultural que faz parte do projeto FIESC Indústria & Cultura.

A Brass Goove Brasil é composta por Jean Carlos no trompete e na direção musical, Marco Aurélio no trombone, Fábio Mello no saxofone, Braion Johnny no clarinete e nos saxofones, Carlos Schmidt na tuba, Rafael Calegari no contrabaixo, Cristiano Ferreira na guitarra e Cristiano Forte na bateria

Nossa História

A Brass Groove Brasil surgiu com o ideal de evidenciar os instrumentos de sopro como solistas principais em uma proposta diferenciada no estado de Santa Catarina.